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É POSSÍVEL HARMONIZAR A AGRICULTURA FAMILIAR COM O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO.

É POSSÍVEL HARMONIZAR A AGRICULTURA FAMILIAR COM O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO. É possível harmonizar a agricultura familiar com o agronegócio brasileiro .



O sucesso de um país na conquista do desenvolvimento depende, dentre numerosos fatores socioeconômicos, de sua capacidade de pesquisa e inovação, combinada com a quebra de paradigmas e o advento de processos produtivos cada vez mais eficazes para os distintos setores de atividade. Tal reflexão é pertinente para o Brasil neste momento em que o mundo debate o risco para a segurança alimentar devido à utilização crescente de áreas agricultáveis para culturas destinadas aos biocombustíveis.


Em nosso país, a discussão deve avançar para um estágio mais elevado, pois já ficou mais do que comprovado que somos a nação com as melhores condições de compatibilizar aquela equação crucial. Todo mundo, inclusive os organismos multilaterais, já reconheceu que possuímos a maior área agricultável, que podemos atender a toda demanda de etanol e biodiesel sem reduzir um hectare sequer nas culturas voltadas aos alimentos e que temos solo, água, tecnologia e clima adequados.


Dirimidas as dúvidas sobre esses óbvios indicadores, é importante avançarmos na análise de um conceito obsoleto, que continua permeando as discussões sobre o tema no País e até atrapalhando a disseminação de alguns processos importantes. Trata-se do propalado antagonismo entre o agronegócio, mais voltado à produção em escala de commodities e biocombustíveis, e a agricultura familiar. Há numerosas e bem-sucedidas experiências internacionais que evidenciam o quanto é viável compatibilizar as duas vertentes. Na África do Sul, por exemplo, num projeto conjunto, o Departamento de Agricultura e Negócios do Meio Ambiente e a Associação da Estação Experimental do Açúcar (Sasex) vêm realizando com sucesso a cultura combinada, nas mesmas áreas, de cana-de-açúcar, repolho e batata-doce.


É possível, com tecnologia adequada, manejo correto das plantações e respeito à sazonalidade e potencialidades da terra, compatibilizar diferentes culturas. Em termos técnicos, duas espécies distintas podem ser cultivadas em carreiras intercaladas ou uma plantação é feita após a colheita da outra. Obviamente, cada caso deve ser estudado com critério, levando-se em consideração todas as variáveis agronômicas. É aí que entram a pesquisa, a inovação e o conhecimento aplicado.


No Brasil também há experimentos bem-sucedidos. No interior paulista, há dois casos que merecem atenção, à medida que podem ser parâmetros para a multiplicação de ações semelhantes. O primeiro refere-se aos assentamentos fundiários Monte Alegre, no município de Motuca, na região de Araraquara. São 233 lotes, distribuídos em 1.456 hectares. Com a coordenação da Casa de Agricultura local, estabeleceu-se parceria entre os pequenos produtores e a agroindústria, para a plantação de cana destinada à produção de açúcar e álcool. Os agricultores assentados participam com a terra e o trabalho, enquanto os insumos e equipamentos são fornecidos pela agroindústria. Além da cana, são produzidas mandioca e pastagens para animais.


O segundo exemplo encontra-se no município de Pradópolis, na região de Ribeirão Preto. Em assentamento denominado Horto Guarany, onde há 77 lotes, em área de 436 hectares, metade da superfície é ocupada pela produção de cana-de-açúcar e os outros 50%, dedicados à cultura de alimentos. Criou-se, num requinte de estrutura, uma associação agrícola dos pequenos produtores rurais para organizar o regime de trabalho.


É importante salientar que os dois projetos são amparados por portaria estadual que legitima e regulamenta o plantio de culturas agroindustriais em assentamentos rurais. Ambos também têm em comum a participação de autoridades estaduais, municipais e a comunidade. É uma somatória de esforços que culminou com a melhoria da renda e qualidade da vida das famílias de agricultores assentados. Ou seja, terra é lugar de produção. É a essência da sobrevivência digna da humanidade. É a fronteira final para a conquista da sustentabilidade dos alimentos, dos combustíveis, da preservação ambiental e da inclusão social via geração de trabalho e renda. Assim, não se justifica mais o paradigma do antagonismo entre agroindústria e agricultura familiar.


kicker: No interior de SP, há exemplos de cooperação entre assentados e o cultivo da cana


JOÃO GUILHERME SABINO OMETTO - Vice-presidente da Fiesp e presidente do Conselho de Administração do Grupo São Martinho)

Fonte: Gazeta Mercantil .