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PERCSPECTIVA DO CONTROLE BIOLÓGICO DO CAPIM-ANNONI.

Perspectivas do controle biológico do capim-annoni.

A problemática das espécies de plantas invasoras pode ser dividida em duas categorias: espécies exóticas que invadiram ecossistemas naturais e plantas invasoras de importância na agricultura, tanto nativas quanto exóticas, em relação à sua origem. As plantas invasoras exóticas estão em vários estágios de invasão, desde aquelas que se tornaram invasivas recentemente até as que estão presentes por muitas décadas e tornaram-se naturalizadas.

Gramíneas constituem uma proporção significativa das espécies de plantas invasoras e espécies originárias da África dominam vastas áreas no Brasil. Estas gramíneas, muitas das quais introduzidas como forrageiras, escaparam das pastagens, tornando-se dominantes e, embora reconhecidas como plantas invasoras altamente problemáticas, é provável que haja sério conflito de interesse sobre a introdução de inimigos naturais para seu controle uma vez que são intensivamente cultivadas como forrageiras.

Para algumas espécies, porém, a dominância e ameaça à flora nativa têm sido crescentes, de modo que os benefícios do controle podem sobrepor seu valor econômico. Este parece ser o caso do capim-annoni-2 (Eragrostis plana Nees), cuja introdução se deu acidentalmente no Rio Grande do Sul na década de 50, devido à contaminação de remessas de sementes de outras espécies forrageiras importadas do continente africano e, graças aos atributos biológicos eficazes da espécie, tornou-se a invasora de pastagens mais agressiva já surgida no Rio Grande do Sul.

Esta gramínea responde, na atualidade, pela drástica redução na freqüência e riqueza de muitas espécies nativas e da heterogeneidade da vegetação do Bioma Pampa, bem como pelo considerável impacto cultural decorrente da prevenção da pecuária nas áreas invadidas devido ao arrendamento de propriedades para o plantio de espécies florestais exóticas invasivas (pinus, eucalipto e acácia-negra) ou conversão para a agricultura sem possibilidade de restauração posterior ao controle da invasora.

Embora estimativas preliminares apontem para um comprometimento de 20% da vegetação campestre do Rio Grande do Sul (2.200.000 ha) em 2008, ainda não se dispõe de levantamentos que apontem a área total ocupada com o capim-annoni-2. Predições realizadas pela ONG Instituto Hórus apontam perdas de US$600 milhões para o período de 1995 a 2015, caso o controle não venha a ser alcançado.

Na maioria dos agroecossistemas, as plantas invasoras são controladas por métodos culturais e químicos, porém, em ecossistemas naturais, tais métodos convencionais de controle tendem a ser impraticáveis, antieconômicos e ambientalmente indesejáveis. Há uma crescente conscientização mundial sobre os impactos ambientais e efeitos tóxicos advindos do uso indiscriminado dos métodos químicos para o controle de pragas, e o Brasil não é exceção. Isto tem, em parte, fortalecido uma corrente global quanto ao interesse em controle biológico de plantas invasoras como um método de controle sustentável, ambientalmente benigno e potencialmente efetivo.

Busca-se, com este método, o uso de inimigos naturais para manter a população de espécies indesejáveis em um nível controlado, de modo a reduzir o dano e tornar a presença da espécie tolerável.

O Programa de Espécies Invasivas Globais (GISP), idealizado pelo Scientific Committee on Problems of the Environment (SCOPE), World Conservation Union (IUCN) e pelo Center for Agriculture and Biosciences International (CABI), tem auxiliado os países a direcionar ações contra espécies invasoras exóticas pelo desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle em nível nacional e regional e, como resultado, o controle biológico clássico tem sido apontado como uma das principais estratégias de controle de plantas invasoras.

O controle biológico clássico tem por alvo espécies exóticas e baseia-se na hipótese da liberação de inimigos naturais. Esta hipótese assume que populações de plantas, uma vez livre do complexo de seus inimigos naturais, podem expandir-se rapidamente e, desta forma, tornam-se mais competitivas.

Por esta estratégia, inimigos naturais (fitopatógenos, insetos e ácaros) são coletados no centro de origem da espécie invasora alvo, selecionando o(s) de maior(es) impacto(s) para a espécie alvo. Após passar por um rigoroso programa de avaliação e seleção, os melhores agentes são introduzidos e liberados na nova área de ocorrência. Esta estratégia se adapta bem ao manejo integrado de pragas em agroecossistemas e constitui a única opção viável, a longo prazo, para o controle de espécies de plantas invasoras exóticas em ambientes naturais e de pastagens.

Historicamente, o controle biológico clássico tem sido conduzido com sucesso, por mais de um século, com o emprego de insetos; porém, a partir de 1972, introduções de fungos fitopatogênicos para o controle de espécies exóticas invasivas foram feitas em todo o mundo e um número significativo destes tem tido sucesso em reduzir o impacto de plantas invasoras exóticas ou estão se mostrando altamente promissores.

Considera-se que os insetos tendem a não ser específicos o bastante a espécies particulares de gramíneas, ao contrário de muitos patógenos que apresentam uma gama de hospedeiros altamente restrita, infectando uma única espécie ou mesmo um biotipo de gramínea. Assim, patógenos fúngicos parecem ser inimigos naturais mais apropriados a serem investigados para o controle biológico clássico de gramíneas-alvo.

A estratégia do bioherbicida, ao contrário do controle biológico clássico, comumente baseia-se em patógenos nativos, aplicados de forma similar às aplicações dos herbicidas convencionais. Plantas invasoras em ecossistemas naturais ou de pouco manejo, como terras públicas, florestas e áreas de conservação, podem também ser alvos atrativos aos bioherbicidas à medida que estes são percebidos como mais compatíveis do que os herbicidas químicos nestas áreas sensíveis.

Ainda que se trate de uma espécie exótica, a ampla distribuição do capim annoni-2 no território do RS, ocupando as várias regiões ecoclimáticas, torna a busca por inimigos naturais uma possibilidade real dada a permanência da espécie por período superior a 50 anos na região. Esta busca pode ser ampliada para outros Estados, como Minas Gerais, Bahia e Paraná, nos quais há registros da ocorrência da espécie alvo.

Apesar deste contexto favorável, o emprego de inimigos naturais para controle desta invasora consiste em uma tecnologia ainda não disponível. No momento em que assegurar a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico sustentável são aspectos preponderantes na sociedade moderna, o manejo racional dessa invasora torna-se um aliado no desenvolvimento dessa área de pesquisa no País, de modo a estimular a geração de tecnologia para inserção em sistemas integrados de controle desta espécie.

A caracterização e o conhecimento da diversidade de inimigos naturais nativos tem sido foco por parte de pesquisadores atuantes na Embrapa Clima Temperado e em outras Instituições parceiras, com vista a embasar futuras ações de pesquisa relativas ao controle biológico do capim-annoni-2 como estratégia de manejo e, inclusive, a busca de inimigos naturais em Países do Continente Africano onde a espécie é nativa.

Adicionalmente, busca-se o conhecimento das condições naturais de ocorrência e dos fatores que restringem a dispersão dos indivíduos levantados de modo a fornecer subsídios sobre a distribuição potencial destes agentes de biocontrole no País. Em última análise, pretende-se desenvolver um referencial básico para a implementação de futuras ações de controle biológico em situações nas quais o protocolo de controle atualmente disponível não é considerado adequado, notoriamente nas áreas de campos rasos, impróprios para a agricultura, onde o processo de invasão representa grande ameaça.

Fonte: GLAUCIA. EMBRAPA CLIMA TEMPERADO.