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A GRANDE RECESSÃO.

A GRANDE RECESSÃO. A Grande Recessão.





O termo é ruim tanto em inglês quanto na tradução para o "economês" mais comum: "deleveraging", ou desalavancagem. Significa, simplesmente, "desendividamento".

Isso é crucial para entender a atual crise, que destrói a riqueza de empresas e famílias abruptamente. Por isso, é cada vez mais claro que muito tempo terá de correr antes que o mundo volte a crescer de forma firme e sustentada.

É desagradável o pessimismo. Mas nada indica o contrário.

Não se deve chamá-la de Depressão, como nos anos 1930, mas a crise atual mais se parece com uma Grande Recessão. Ela toma esse caminho justamente por causa do "desendividamento".

Os valores de todos os ativos no mundo (ações, imóveis, preços de companhias e suas expectativas de lucro, salários e empregos) estão caindo rapidamente para pagar a conta desse "desendividamento" de famílias, bancos e empresas.

O quadro é dramático nos EUA. Em apenas 15 meses, as famílias viram sua riqueza (concentrada em ações na Bolsa e imóveis) ser destruída em US$ 16,5 trilhões. Isso equivale a quase 13 vezes o PIB do Brasil e a 122 vezes o valor de mercado da gigante Microsoft.

Enquanto veem o valor de seus ativos serem dizimados, os americanos nunca deveram tanto em suas vidas, assim como suas empresas e bancos.

Companhias que tinham ações negociadas a US$ 55 há alguns meses (caso do Citibank) viram os preços cair para menos de US$ 1 na semana passada. Em outras, menos expostas ao caos financeiro, como a General Eletric (que tem um banco, mas que também fabrica de turbinas de avião a lâmpadas domésticas) os preços das ações despencaram (no caso da GE, de US$ 17 para US$ 6 em duas semanas).

O empobrecimento é geral no mundo desenvolvido, e quase ninguém escapa dele. Por trás desse processo, o "desendividamento".

Depois de anos de farra e fartura de crédito fácil, financiado não apenas por operações arriscadas e fajutas (um único dólar em garantia real chegou a "alavancar" outros 35 em empréstimos), mas pela trilionária poupança de países asiáticos, a conta chegou.

Por isso, empresas demitem tanto (4,4 milhões de cortes nos EUA desde o final de 2007) e as famílias pararam de gastar e poupam (a poupança em janeiro atingiu o maior patamar em 14 anos nos EUA).

Agora, essa fase da crise parece estar deprimindo mais as economias europeias e japonesa, muito industrializadas e exportadoras, do que a própria norte-americana.

Na zona do euro, as forças discrepantes de países como Alemanha e França em oposição à Espanha, Portugal e Grécia, por exemplo, já colocam a sobrevivência da moeda única (o euro) em risco.

No Leste da Europa, o temor é que haja colapsos em cadeia de economias da União Europeia ainda fora do euro, mas que têm déficits enormes. Casos de Bulgária, Romênia, Estônia e Lituânia.

Felizmente para nós, as grandes economias periféricas como a brasileira e a chinesa vão se segurando melhor, orientando suas políticas para o mercado interno a única coisa sensata a fazer.

O maior problema segue, porém, sendo os EUA.

Embora o governo de Barack Obama ainda não tenha se decidido finalmente se estatizará ou não os bancos "zumbis", mortos-vivos pendurados na UTI do Tesouro, a pergunta que se faz agora não é mais "se". É "quando?"

De resto, indústria, comércio e serviços privados vão caminhando no vermelho, demitindo e fechando. Fato que, certamente, levará a uma modificação estrutural (para um nível mais sensato) de consumo e produção privadas.

O único sinal positivo no cálculo do PIB do mundo desenvolvido hoje são as despesas dos governos, graças a pacotes emergenciais e despesas trilionárias com dinheiro dos contribuintes.

Portanto, já existe uma grande conta para essa geração futura.

Uma aposta: a próxima geração terá outras prioridades. Consumo e hedonismo atual serão revistos. Uma era mais conservadora vem aí, econômica e moral. Bons e estáveis empregos como prioridade, se possível com um bom fundo de pensão. Isso muda tudo. A criatividade e o impulso da vida.

O pêndulo deve mudar de lado, novamente. Com sempre.

Fonte: Fernando Canzian/Folha Online.