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BRASIL APRENDE A COMBATER FERRUGEM DA SOJA.

Publicada em 29/10/2008 às 10:09:45

BRASIL APRENDE A COMBATER FERRUGEM DA SOJA.Brasil aprende a combater ferrugem da soja





A ferrugem asiática surgiu nas lavouras brasileiras de soja há oito anos e contabiliza perdas estimadas em 10 bilhões de dólares. A boa notícia é que o produtor está melhor preparado para enfrentar a doença e manter bons rendimentos mesmo com a ameaça constante da ferrugem. A evolução da ferrugem no Brasil foi apresentada hoje (21/10) no Seminário sobre Ferrugem Asiática da Soja, que acontece até o dia 22/10, na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), numa promoção conjunta com a Emater/RS e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

O Paraguai registrou o início da epidemia de ferrugem asiática nas Américas ainda na safra 2000/2001. No ano seguinte, safra 2001/2002, a ferrugem atacava a soja nos estados do RS, PR, MS, MT e GO, registrando perdas de 569 mil toneladas de grãos e prejuízos de 125 milhões de dólares. Produtores despreparados e aplicações tardias de fungicidas faziam o problema crescer a cada ano, passando para perdas de 3,4 milhões de toneladas de grãos em 2002/2003, com gastos de 426 milhões de dólares com controle químico. Na safra 2003/2004, o custo ferrugem alcançou os 2 bilhões de dólares, prejuízo esquecido na safra seguinte em função da seca que aniquilou grande parte da produção brasileira. O volume de grãos perdidos com a ferrugem começou a diminuir na safra 2005/2006, caindo para 2,9 milhões de toneladas, mas o custo ainda era alto: 2,1 bilhões de dólares, chegando a 2,2 bilhões na safra 2006/2007, quando o bom rendimento das lavouras – principalmente associado ao fator clima – compensou o gasto com a ferrugem. Finalmente, na última safra – 2007/2008 – as perdas caíram para 418 milhões de toneladas de grãos, com custo de 1,97 bilhões de dólares.

Avaliando os números, a pesquisadora da Embrapa Trigo, Leila Costamilan diz que o produtor, e mais ainda a assistência técnica, estão mais preparados para conviver com o problema. “Hoje faz parte do kit do agrônomo uma lupa, um canivete e um saco plástico para coletar as amostras na lavoura de soja”, ressalta a pesquisadora, lembrando que muitos produtores deveriam a administrar sua própria unidade de alerta: “uma pequena área em meio à lavoura semeada antes da época, sem tratamento de fungicida, num local de maior umidade. Ao primeiro sintoma de ferrugem asiática nesta área isolada, o produtor efetua aplicação de fungicida em toda a lavoura e garante um bom controle da doença”.

Outro fator de sucesso, segundo a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy, foi a implantação normativa do Vazio Sanitário, onde a maioria dos estados produtores devem deixar as áreas sem soja durante 60 a 90 dias como forma de evitar a ponte verde que permite a sobrevivência do fungo causador da ferrugem. O RS não participa do vazio sanitário poque não cultiva soja de inverno, mantendo apenas uma safra de oleaginosa ao ano, além do inverno rigoroso auxiliar no controle natural de plantas voluntárias.



Clima bom pra soja é clima bom pra ferrugem

A afirmação da pesquisadora Leila Costamilan está baseada na incidência de chuvas, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro, durante o estádio reprodutivo da planta, ao mesmo tempo em que garante umidade necessária à ferrugem. “Se o clima é favorável para soja, é favorável também para a ferrugem. Ainda assim, é preferível soja com chuva e ferrugem do que enfrentar uma situação de seca”, diz Costamilan.

Em relação ao clima de 2008/2009, o produtor pode ficar tranquilo quanto ao risco de estiagem, mas em relação à ferrugem asiática a recomendação é de alerta. “A previsão é de chuvas dentro do esperado historicamente no verão. O produtor de soja deve acompanhar as previsões climáticas que permitem decidir o momento certo de agir na lavoura”, destaca a pesquisadora. Na dúvida quanto à presença do fungo na soja, uma amostra a partir da coleta de folhas do terço inferior da planta deve ser acondicionada em saco plástico e enviada a um dos laboratórios credenciados no Consórcio Antiferrugem (disponíveis no site http://www.consorcioantiferrugem.net).



Números no Rio Grande do Sul

Safra 2006/2007

· perda média por ferrugem: 5 a 8 sc/ha

· custo da aplicação: R$ 150,00/ha (dólar 1,91)

· rendimento médio: 2.550 kg/ha



Safra 2007/2008

· perda média por ferrugem: 1 a 2 sc/ha

· custo da aplicação: R$ 47,00/ha (dólar 1,63)

· rendimento médio: 2.028 Kg/ha



foto: Ferrugem: monitoramento para identificar focos

crédito Embrapa Trigo



Emater/RS faz lançamento da campanha estadual para

evitar perdas na colheita



A Emater/RS-Ascar pretende, junto aos produtores rurais, reduzir as perdas ocorridas durante a colheita. De acordo com o diretor técnico da instituição, Paulo Silva, há uma estimativa de que se percam cerca de 2,5 sacos (60 quilos) de soja por hectare, segundo ele, essas perdas podem serem diminuídas para um saco por hectare. Para isso, a Emater/RS-Ascar lançou, nesta terça-feira (21), durante a abertura do Seminário sobre Ferrugem Asiática da Soja, realizado na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, a campanha estadual de redução de perdas na colheita – edição 2009. A campanha visa salientar a importância da correta regulagem de máquinas e da manutenção dos equipamento.



Conforme Paulo Silva, a campanha ocorrerá em mais de 100 municípios do Estado, com a capacitação do corpo técnico da instituição sobre como determinar as perdas e como fazer as regulagens básicas da colheitadeira para diminuir as perdas. “Nas pequenas propriedades o problema é maior. Pela estruturas das propriedades, os agricultores não têm condições de comprar as suas colheitadeiras, então trabalham com máquinas alugadas. Nesse caso, as perdas normalmente são maiores porque os proprietários das máquinas querem que as mesmas produzam mais por hora trabalhada, ultrapassando o limite das mesmas. Estima-se que estamos deixando de colher um volume de mil colheitadeiras/ano, o equivalente a R$ 300 milhões por ano”, explica Silva.



O tema de perdas na colheita e qualidade de grãos, será apresentado nesta quarta-feira (22), segundo dia do Seminário. O assunto será abordado pelo professor da Escola Agrotécnica de Carazinho, Plínio Pacheco Pinheiro. No primeiro dia, os temas foram manejo e controle da ferrugem asiática, e tecnologias de aplicação. Participaram da abertura do evento, além do diretor técnico da Emater/RS, Paulo Silva, o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Trigo, João Leonardo Pires, e o superintendente feredal de Agricultura do Rio Grande do Sul, Francisco Signor. O Seminário é dirigido para agrônomos e técnicos agrícolas de cooperativas, instituições públicas e privadas e profissionais liberais.


Fonte: EMBRAPA TRIGO.